Pequenos Exageros

LinhasE eu que já fiz tantos textos pra você, queria saber se ao menos uma linha você fez pra mim.

Vida

A vida me ensinou deixar pra trás o que não me leva pra frente.

Falta

As suas faltas já não me fazem falta!

preterito imperfeito

Você não é o tipo de cara que eu me casaria, nem o tipo de cara que eu me apaixonaria, muito menos daqueles que eu perderia noites e noites de amor, e que ficaria sem dormir porque não me ligou. Você não é daquele tipo que me faz sonhar acordada, que me faz planejar futuro, esquecer passado e viver presente. Você não é aquele que eu idealizo pai dos meus filhos, aquele que eu quero ao meu lado pra sempre, aquele que me faz querer ser melhor. Você não é nada. Você não sabe nada.

Você não sabe nada de mim. Não sabe meus gostos e desgostos, não sabe minha cor preferida, minha banda, minha música, meu filme. Não sabe minhas vontades mais loucas e como meus olhos brilham, não sabe o tamanho das minhas mãos, afinal, você nunca as segurou. Não sabe quanto tempo eu demoro no banho, nem como fico irritada em arrumar o cabelo. Você não sabe o calor do meu abraço, nem como o meu coração bate forte toda vez que eu me perco em seus braços. Você não sabe nada e talvez não queira saber. E você fez tudo errado.

Apareceu em um dia qualquer, me falando qualquer coisa, me querendo de qualquer jeito. Me teve da maneira mais fácil, mais insana, mais gostosa. Me mostrou caminhos que eu nunca andei, despertou desejos que eu nunca senti e um prazer que eu jamais alcancei. E eu quis o teu corpo junto ao meu por mais uma vez, e mais outra, e mais outra, e mais inúmeras outras vezes. E esperei ansiosamente. Mas você desapareceu da mesma maneira que apareceu. Desapareceu em um dia qualquer, sem me falar qualquer coisa, sem qualquer motivo. E eu fiz tudo errado.

Fiz tudo errado quando coloquei um talvez no lugar do meu não, quando me contentei com pouco tempo, pouco espaço, pouca coisa. Quando me alegrei com meias palavras, meias verdades, meias mentiras. Quando me entreguei inteira pra alguém que se deu pela metade.

(17.04.09)

the end

Hoje me peguei lendo você. Lendo o nosso fim. Que estranho, meu coração apertou como na leitura de um livro de ação, como se eu já não soubesse cada palavra que estava ali escrita. Quanto rancor, quanto desespero, quanta imaturidade das duas partes. Quanto vazio que ficou.

Nós somos aquela partezinha da história que faz pensar em voltar no tempo e fazer diferente, fazer pelo menos um final diferente. Mas não um final feliz, porque no fundo a gente sabia que não era pra ser, a gente sabia que no nosso amor o encanto ficava por conta das palavras e palavras não são o suficiente para manter um relacionamento vivo. Mas acho que dava pra fazer um final menos triste, não acha?

Nós que sempre fomos tão bons com as palavras, não as soubemos usar dignamente. E isso é uma pena. Porque o que eu quero lembrar da gente não são os insultos e as tentativas de causar um sofrimento alheio, mas sim as mensagens de carinho, os textos melosos e as surpresas que abriam os sorrisos e fechavam os olhos. Eu quero lembrar da parte que valeu a pena, sabe?

Porque hoje lendo você eu percebi que tudo valeu a pena. Até mesmo o nosso fim.


Eu tava bem. Tava em paz. Tava feliz. Já nem pensava mais naquele frio na barriga. Olha, tava realmente sorrindo à toa. E essa é a única razão pela qual eu não gosto de falar com você. Porque você bagunça tudo o que eu levo tanto tempo pra arrumar. Você muda meus planos e meus horários. Você transforma a saudade em uma vontade absurda de atravessar o oceano. E me faz ficar relembrando suas palavras milhões de vezes por dia. E faz até eu acreditar que tem um cantinho pra mim nesse seu coração de pedra.

E entre todas as tentativas de te evitar, você me encontra. E entre todas as frases que eu omito, você descreve. E entre todas as suas faltas, você me ganha. E entre 7 bilhões de pessoas no mundo, você ainda é o único que balança tudo aqui dentro.

Porque você é a certeza de um caminho mal traçado que me fez feliz.

Tanta vontade, tanta bobagem, tantas palavras não ditas que ecoam tão alto. Tanta espera, tanto sentir, tanto vazio transbordando um mundo inteiro. Romances inacabados e linhas pela metade de textos nem começados. Tanta poesia fria que a gente nem escreve. E se descreve.

Tanta falta.

De esperança, de carinho, de compreensão. Falta de atenção. Falta de tudo que a gente tem. Falta alguém ou falta de alguém. Falta de presença, paciência, conversa fiada. Falta olhar. Falta humanidade, parceria, cumplicidade. Falta tanta coisa e você nem se importa.

Falta querer.

O bem, o beijo, o desejo. Querer ser, estar, ficar. Querer mais daquilo que não há. Falta querer cuidar. Falta querer dizer. Falta querer arriscar, mudar, agir. Falta querer construir. Falta querer amar.

Falta amor.

Pequena

Kelly Veiga é redatora publicitária, revisora por acaso e blogueira de textos de meia tigela. Apaixonada por jingles e crônicas.

Comentários

Robson Vicentin em The End
Kelly Veiga em Falta
Leo em Falta
Kelly Veiga em Falta
Luana Marques em Falta

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